Em muitos momentos da história, artistas subverteram a ordem imposta culturalmente, questionando não apenas regras de mercado, mas também de função da própria arte. Assim, a matéria cedeu espaço ao conceito, à atitude do pensamento do artista. Os artistas abandonaram suportes tradicionais, a obrigatoriedade da representação da realidade, e a necessidade de manutenção de técnicas rígidas vinculadas ao ato do fazer artístico. Em seguida, o próprio espaço do museu e da galeria entrou em campo expandido, passando a ser uma parte da própria criação.
Mesmo com a expansão dos limites da arte em seus templos sagrados (museu e galeria de arte), era necessário que a arte falasse aos homens e mulheres, discutisse suas angústias, sonhos e fraquezas, questionasse sua existência. Nessa busca incessante pela razão de ser, a cidade surge como o meio onde as sociabilidades afloram. Assim, a urbe passa a ser tomada pelos artistas, como espaços autênticos e legítimos de apropriação poética.
Três aspectos parecem ser motivadores da apropriação urbana em nome da arte. O primeiro parece ser o questionamento de valores e padrões aceitos, sejam eles morais, políticos, sociais ou formais. O segundo pode ser a possibilidade de apropriação formal e paisagística das urbes, como elementos constitutivos dos processos de criação. E o terceiro, é a ampliação da capacidade de reverberação do trabalho artístico, já que este, aparentemente, torna-se acessível a todos.
A cidade é o sítio fervilhante que permite novos fluxos para o olhar. Não se trata de obras nas ruas, mas de trabalhos pensados para situações urbanas específicas, onde o entorno e os observadores são englobados pelos processos criativos. Intervenções urbanas quase sempre rompem percursos assimilados, não necessariamente pelas dimensões, mas principalmente pelo inusitado. Interferir com arte neste sistema antropológico-urbano é lutar pela visão perdida, por uma possibilidade de percepção breve, tão sutil quanto drástica. Uma guerrilha poética que se lança pela reconquista do direito ao olhar atento.
Essa exposição traz o registro das intervenções artísticas pensadas e executadas por artistas de Criciúma no contexto da cidade. E os registros - é bom lembrar - podem ser partes integrantes destas obras.
Charles Narloch, curador.
Alexandre Antunes - Sem título (Peças de Cerâmica)
Praça Nereu Ramos
Durante a Exposição PRETEXTO Cidade, a Fundação Cultural de Criciúma em parceria com a Secretária de Educação recebeu mais de 300 alunos da rede pública de educação.
A visita a Galeria inclui mediação e oficina pedagógica, que para esta exposição tinha como proposta criar uma rede direta entra artista e público.
Nas oficinas, as crianças puderam conhecer pessoalmente alguns dos artistas dessa coletiva, e também se corresponder com eles, através de cartas, e-mails e orkut.
A visita a Galeria inclui mediação e oficina pedagógica, que para esta exposição tinha como proposta criar uma rede direta entra artista e público.
Nas oficinas, as crianças puderam conhecer pessoalmente alguns dos artistas dessa coletiva, e também se corresponder com eles, através de cartas, e-mails e orkut.



