domingo, 26 de agosto de 2012

"PRETEXTO Cidade"


Em muitos momentos da história, artistas subverteram a ordem imposta culturalmente, questionando não apenas regras de mercado, mas também de função da própria arte. Assim, a matéria cedeu espaço ao conceito, à atitude do pensamento do artista. Os artistas abandonaram suportes tradicionais, a obrigatoriedade da representação da realidade, e a necessidade de manutenção de técnicas rígidas vinculadas ao ato do fazer artístico. Em seguida, o próprio espaço do museu e da galeria entrou em campo expandido, passando a ser uma parte da própria criação.
Mesmo com a expansão dos limites da arte em seus templos sagrados (museu e galeria de arte), era necessário que a arte falasse aos homens e mulheres, discutisse suas angústias, sonhos e fraquezas, questionasse sua existência. Nessa busca incessante pela razão de ser, a cidade surge como o meio onde as sociabilidades afloram. Assim, a urbe passa a ser tomada pelos artistas, como espaços autênticos e legítimos de apropriação poética.
Três aspectos parecem ser motivadores da apropriação urbana em nome da arte. O primeiro parece ser o questionamento de valores e padrões aceitos, sejam eles morais, políticos, sociais ou formais. O segundo pode ser a possibilidade de apropriação formal e paisagística das urbes, como elementos constitutivos dos processos de criação. E o terceiro, é a ampliação da capacidade de reverberação do trabalho artístico, já que este, aparentemente, torna-se acessível a todos.
A cidade é o sítio fervilhante que permite novos fluxos para o olhar. Não se trata de obras nas ruas, mas de trabalhos pensados para situações urbanas específicas, onde o entorno e os observadores são englobados pelos processos criativos. Intervenções urbanas quase sempre rompem percursos assimilados, não necessariamente pelas dimensões, mas principalmente pelo inusitado. Interferir com arte neste sistema antropológico-urbano é lutar pela visão perdida, por uma possibilidade de percepção breve, tão sutil quanto drástica. Uma guerrilha poética que se lança pela reconquista do direito ao olhar atento.
Essa exposição traz o registro das intervenções artísticas pensadas e executadas por artistas de Criciúma no contexto da cidade. E os registros - é bom lembrar - podem ser partes integrantes destas obras.
            Charles Narloch, curador.


Alexandre Antunes - Sem título (Peças de Cerâmica) 
Praça Nereu Ramos 


Durante a Exposição PRETEXTO Cidade, a Fundação Cultural de Criciúma em parceria com a Secretária de Educação recebeu mais de 300 alunos da rede pública de educação.
A visita a Galeria inclui mediação e oficina pedagógica, que para esta exposição tinha como proposta criar uma rede direta entra artista e público.
Nas oficinas, as crianças puderam conhecer pessoalmente alguns dos artistas dessa coletiva, e também se corresponder com eles, através de cartas, e-mails e orkut.




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PAISAGEM INSÓLITA


   A terra ressecada apresenta fissuras revelando formas, mostrando agressão a natureza, causando modificações na paisagem. As formas variadas, da terra, representam sentimentos revelando, como a paisagem se expressa quando agredida.
   O homem faz parte da “Natureza” em seu todo, passa por varias mudanças ao decorrer da vida como as paisagens e é a natureza humana que revela o estado de alma como nas paisagens. A natureza é a ciência e a desencadeadora da funcionalidade dos ambientes e dos organismos vivos por outro lado: embora todos os homens provenham da mesma espécie, homo sapiens, um traço comum da natureza humana que é negado ao homem pelo homem, que não reconhece o seu semelhante, ou que monopoliza á plena qualidade de homem, transformando, agredindo a natureza de acordo com os seus interesses nesse caso a natureza não passa de uma matéria-prima maleável que sofre intervenções por influência de um jogo de interesses. Mas não é certo que a natureza comporta um princípio de variedade que é testemunhada pelos milhões de espécies vivas? Não comporta um princípio de transformação? Não comporta em si própria a evolução, que conduziu ao homem? Será a natureza humana desprovida de qualidades biológicas? Quando, finalmente, o homem e a sua natureza humana emergir com plenitude, virtude, bondade, respeito e compreensão, só assim descobrira que sua matéria física é parte integral desta paisagem, se não descobrira que essa paisagem é imaginária.
   O barro, elemento proveniente desta paisagem, identifica diferentes espaços atravessados e vivenciados por mim. É como recordações, uma espécie de retrato, preservando uma paisagem que não mais existe. Em “retrato 20x20”, relaciono-me diretamente com o barro e essas memórias de paisagens desaparecidas, transformadas.   As memórias das paisagens por mim vividas, ainda se fazem presentes no trabalho intitulado “listelo”, reverenciando o universo da azulejaria, um referencial econômico de Criciúma, paisagem que habito. O barro, submetido à transformação do homem e da natureza, são apresentadas lado a lado, através da série de imagens fotográficas da terra ressecada, ladeadas por quadrantes de barbotina, que apresentara aspecto craquelado pela transformação do tempo.
O tempo também é elemento presente no trabalho “jardim insólito” , onde o barro é instalado sobre suportes e ali se modifica, resseca, sofre modificações ao decorrer da exposição, como um jardim silencioso, aguardando cultivo recuperação.
O barro, matéria prima dos trabalho, são extraídos por mim, de diferentes lugares de minha cidade, servindo de material de pintura, tendo suas características naturais como cor e textura preservadas.
                                                                                                            
                                                                                                                                   Alexandre Antunes





retrato 20x20


retrato 20x20 (detalhe)


jardim insólito / listelo

jardim insólito


listelo
listelo














listele (detalhe)
montagem. . .

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