segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

BASTIDOR

O acesso ao trabalho artístico, de modo geral, ocorre apenas quando uma música é executada, um livro chega às livrarias ou uma peça é encenada. A noção de “obra” acaba por velar, para o público em geral, uma série de procedimentos envolvidos no pensamento e na fatura artística. Não obstante, o carnaval tem muito a ensinar aos artistas e produtores culturais: desde a composição do samba-enredo até os ensaios da bateria, partilha-se com a comunidade a realização do trabalho (isso sem falar no momento em que o bloco vai para a rua, a escola para a avenida...).
As artes plásticas, historicamente, mantiveram uma relação burocrática com o espectador que só era convidado a admirar as obras de arte no vernissage (termo francês para designar o momento em que os pintores aplicam o verniz sobre a tela, assinalando que a obra está finalizada, pronta para ser vendida e visitada pelo público). É evidente que esta relação vem se alterando cada vez mais à medida que o trabalho artístico passou a incluir elementos múltiplos da experiência estética.
A presente mostra explora dimensões menos conhecidas – o antes e o depois – daquilo que se intitula “obra” (e que, cada vez mais a arte contemporânea, num sintoma da relação pragmática que se estabeleceu com a poética, entende por “trabalho”). Não por acaso, o título “Bastidor”. De uma parte, faz-se uso da noção teatral: aquilo que está fora do alcance do público (por isso mesmo a exposição se alastra pelo palco e pelos bastidores do teatro). De outra parte, o sentido simbólico relacionado ao poder: são os bastidores da política, do jornalismo, do capital (e, porque não, do circuito das artes) que decidem, quase sempre, os rumos de determinado acontecimento.
Os trabalhos de Alan Cichela, Clóvis Ferrari, CTRL J, Iêda Topanotti, Rosimeri Antunes e Vitor Maccari se encontram nesta dimensão de anterioridade própria aos estudos e esboços. Evidentemente, não se poderia deixar de fora a obra propriamente dita. Para tanto, a galeria foi ocupada por Alexandre Antunes, Daniele Zacarão, Elke Hülse, Janor Vasconcelos e Joelson Bugila (que habita o limiar entre o dentro e o fora). Por último, uma espécie de epílogo. A obra de Berenice Gorini, que após processo de institucionalização (o acervo pertence à Fundação Cultural de Criciúma e outrora ocupava o espaço da Galeria Octávia Gaidzinski), atravessa um momento delicado em relação à conservação e à exposição. Com isso, apresenta-se um panorama do atual circuito das artes visuais na cidade de Criciúma.
Fernando Boppré
Curador


Artistas convidados:
Alan Cichela
Alexandre Antunes
Berenice Gorini
Clóvis Ferrari
CTRL J
Daniele Zacarão
Elke Hulse
Iêda Topanotti
Janor Vasconcelos
Joelson Bugila
Rosimeri Antunes
Vitor Maccari
Curadoria: Fernando Boppré



Realização

SESC Criciúma
Fundação Cultural de Criciúma
Governo do Município de Criciúma







domingo, 26 de agosto de 2012

"PRETEXTO Cidade"


Em muitos momentos da história, artistas subverteram a ordem imposta culturalmente, questionando não apenas regras de mercado, mas também de função da própria arte. Assim, a matéria cedeu espaço ao conceito, à atitude do pensamento do artista. Os artistas abandonaram suportes tradicionais, a obrigatoriedade da representação da realidade, e a necessidade de manutenção de técnicas rígidas vinculadas ao ato do fazer artístico. Em seguida, o próprio espaço do museu e da galeria entrou em campo expandido, passando a ser uma parte da própria criação.
Mesmo com a expansão dos limites da arte em seus templos sagrados (museu e galeria de arte), era necessário que a arte falasse aos homens e mulheres, discutisse suas angústias, sonhos e fraquezas, questionasse sua existência. Nessa busca incessante pela razão de ser, a cidade surge como o meio onde as sociabilidades afloram. Assim, a urbe passa a ser tomada pelos artistas, como espaços autênticos e legítimos de apropriação poética.
Três aspectos parecem ser motivadores da apropriação urbana em nome da arte. O primeiro parece ser o questionamento de valores e padrões aceitos, sejam eles morais, políticos, sociais ou formais. O segundo pode ser a possibilidade de apropriação formal e paisagística das urbes, como elementos constitutivos dos processos de criação. E o terceiro, é a ampliação da capacidade de reverberação do trabalho artístico, já que este, aparentemente, torna-se acessível a todos.
A cidade é o sítio fervilhante que permite novos fluxos para o olhar. Não se trata de obras nas ruas, mas de trabalhos pensados para situações urbanas específicas, onde o entorno e os observadores são englobados pelos processos criativos. Intervenções urbanas quase sempre rompem percursos assimilados, não necessariamente pelas dimensões, mas principalmente pelo inusitado. Interferir com arte neste sistema antropológico-urbano é lutar pela visão perdida, por uma possibilidade de percepção breve, tão sutil quanto drástica. Uma guerrilha poética que se lança pela reconquista do direito ao olhar atento.
Essa exposição traz o registro das intervenções artísticas pensadas e executadas por artistas de Criciúma no contexto da cidade. E os registros - é bom lembrar - podem ser partes integrantes destas obras.
            Charles Narloch, curador.


Alexandre Antunes - Sem título (Peças de Cerâmica) 
Praça Nereu Ramos 


Durante a Exposição PRETEXTO Cidade, a Fundação Cultural de Criciúma em parceria com a Secretária de Educação recebeu mais de 300 alunos da rede pública de educação.
A visita a Galeria inclui mediação e oficina pedagógica, que para esta exposição tinha como proposta criar uma rede direta entra artista e público.
Nas oficinas, as crianças puderam conhecer pessoalmente alguns dos artistas dessa coletiva, e também se corresponder com eles, através de cartas, e-mails e orkut.




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PAISAGEM INSÓLITA


   A terra ressecada apresenta fissuras revelando formas, mostrando agressão a natureza, causando modificações na paisagem. As formas variadas, da terra, representam sentimentos revelando, como a paisagem se expressa quando agredida.
   O homem faz parte da “Natureza” em seu todo, passa por varias mudanças ao decorrer da vida como as paisagens e é a natureza humana que revela o estado de alma como nas paisagens. A natureza é a ciência e a desencadeadora da funcionalidade dos ambientes e dos organismos vivos por outro lado: embora todos os homens provenham da mesma espécie, homo sapiens, um traço comum da natureza humana que é negado ao homem pelo homem, que não reconhece o seu semelhante, ou que monopoliza á plena qualidade de homem, transformando, agredindo a natureza de acordo com os seus interesses nesse caso a natureza não passa de uma matéria-prima maleável que sofre intervenções por influência de um jogo de interesses. Mas não é certo que a natureza comporta um princípio de variedade que é testemunhada pelos milhões de espécies vivas? Não comporta um princípio de transformação? Não comporta em si própria a evolução, que conduziu ao homem? Será a natureza humana desprovida de qualidades biológicas? Quando, finalmente, o homem e a sua natureza humana emergir com plenitude, virtude, bondade, respeito e compreensão, só assim descobrira que sua matéria física é parte integral desta paisagem, se não descobrira que essa paisagem é imaginária.
   O barro, elemento proveniente desta paisagem, identifica diferentes espaços atravessados e vivenciados por mim. É como recordações, uma espécie de retrato, preservando uma paisagem que não mais existe. Em “retrato 20x20”, relaciono-me diretamente com o barro e essas memórias de paisagens desaparecidas, transformadas.   As memórias das paisagens por mim vividas, ainda se fazem presentes no trabalho intitulado “listelo”, reverenciando o universo da azulejaria, um referencial econômico de Criciúma, paisagem que habito. O barro, submetido à transformação do homem e da natureza, são apresentadas lado a lado, através da série de imagens fotográficas da terra ressecada, ladeadas por quadrantes de barbotina, que apresentara aspecto craquelado pela transformação do tempo.
O tempo também é elemento presente no trabalho “jardim insólito” , onde o barro é instalado sobre suportes e ali se modifica, resseca, sofre modificações ao decorrer da exposição, como um jardim silencioso, aguardando cultivo recuperação.
O barro, matéria prima dos trabalho, são extraídos por mim, de diferentes lugares de minha cidade, servindo de material de pintura, tendo suas características naturais como cor e textura preservadas.
                                                                                                            
                                                                                                                                   Alexandre Antunes





retrato 20x20


retrato 20x20 (detalhe)


jardim insólito / listelo

jardim insólito


listelo
listelo














listele (detalhe)
montagem. . .

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domingo, 10 de junho de 2012

Diálogos sobre a Paisagem



                 
                "desestética paisagistica''
                                                                                                                                                        

sexta-feira, 16 de março de 2012

ABSTRAÇÕES CARTESIANAS na Maratona Cultural de Florianópolis






Confira o endereço da Galeria de Arte Municipal Pedro Paulo Viccietti na página da programação da II MARATONA CULTURAL DE FLORIANÓPOLIS onde estarei expondo, confira no link abaixo!!!
http://www.maratonacultural.com/programacao/dia25


                                                                            "Listelo 1"

"Listelo 2"

                                               
                                                                  "Espaço reticulado"